segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Folha de Outono

Folha amarela, caída, recordando o fim do Verão.
Folha sem forças, esquecida, moribunda, espezinhada,
Mas nem por isso abatida ou humilhada,
Pese embora o fraquejar do coração!

Folha que sentes a mágoa da traição
De quem te sustinha e te deixou ao abandono,
Fazendo-te chorar a partida do Verão
E anunciando o princípio do triste e frio Outono!

Voa ao sabor do vento,
Voa sem amarras que te roubam liberdade,
Não queiras mais traidor sustento,

Pois irás sentir incomparável vaidade
Ao tocares suavemente o solo firme que pisamos
E vires que a vida é muito mais que simples ramos!   


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,


Jorge

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Retalhos de fim de Verão

Assola-me às vezes uma nostalgia tão grande… Chega a transportar-me até aos primórdios da minha existência e vai ao ponto de me lembrar de coisas que já não me lembrava mais.
Às vezes gosto de passear perigosamente pelos caminhos do passado e hoje, nem sei porquê, lembrei-me daquele tempo em que ir à praia em Setembro era normal.
É verdade! Vaguear pelo passado pode ser óptimo, mas pode também magoar. Uma ténue passagem, por exemplo, pelas pessoas que faziam, fisicamente, parte da nossa vida e agora pertencem a um mundo diferente, pode abrir feridas que se julgavam curadas há muito. Recuar no tempo até à altura em que não tínhamos ainda sentido a dor da morte, é bom mas pode ser arriscado.
Nessa noite, mal conseguia dormir. O dia seguinte era o tão esperado 1 de Setembro, o primeiro dia do mês em que íamos para a praia. À banheira Rosa (que afinal se chamava Irene, Rosa era a mãe) alugávamos, na praia de Leça, uma barraca por todo o mês e às vezes até entrava por Outubro dentro.
A importância que aquela ida para a praia tinha, era enorme, era como que um momento encantado em que esquecíamos todos os nossos problemas de criança, íamos rever os nossos amigos que só víamos na praia, íamos recomeçar as brincadeira interrompidas por um ano chatíssimo de Inverno e escola, íamos uma vez à piscina, comíamos um gelado por semana e tentávamos coleccionar os bonecos que estes davam de prémio (lembram-se? Era os animais do Jardim Zoológico, do Carrossel Mágico, do Palino, dos Looney Tunes…)
Dia 1 chegou finalmente. Excitadíssimos, lá saímos de casa em direcção à Carvalhosa para apanhar o eléctrico. Daí, íamos até Matosinhos e lá apanhávamos o autocarro para Leça (havia autocarro directo mas era mais caro $50. Custava 3$50 e indo de eléctrico, eram 1$50 até Matosinhos e mais 1$50 de autocarro até Leça. Parecendo que não, ainda se poupava algum dinheiro). Quando chegávamos, encontrávamos um ambiente muito mais calmo que em Agosto. Se não fosse a azáfama dos banheiros no desmontar das barracas excedentes de Agosto, não se ouviria mais que a música maravilhosa emitida pelas ondas do mar quebrando na areia. 
Depois de instalados, vestíamos os fatos de banho, com alguma timidez devido à inconveniente brancura da pele, e íamos procurar os nossos amigos.
Era um mês inteiro de brincadeiras, de sonhos, de projectos, de troca de ideias… era um mês mágico não podendo compará-lo com nada nem com qualquer outro tipo de vivência. Era o mês de praia e pronto!
Agora, as férias são passadas de maneira diferente, a fasquia é cada vez mais alta, gasta-se cada vez mais, a oferta é enorme, mas a sensação de insatisfação é tremenda. Falta sempre qualquer coisa que na altura não faltava e regressa-se com a sensação de termos sido roubados.     


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mais desabafos

          Duas e um quarto da manhã e eu aqui, sentado em frente ao computador, pensando e vasculhando o cérebro na esperança de conseguir algo de útil para transmitir, algo que não agrida a inteligência de quem tiver a paciência de “escutar” estas minhas ideias e ao mesmo tempo consiga fazer meditar nas coisas de uma maneira diferente.
          Afinal já devia estar a dormir há horas, pois ás seis e meia terei de acordar para enfrentar a rotina diária da ida para um emprego que não escolhi mas no qual me acomodei.
          Vivo no Porto. O Porto é uma cidade fácil de amar para quem lá nasceu, fácil de odiar para quem tiver essa ideia preconcebida, algo enigmática para quem é de fora mas com um fascínio que sobra para dar e vender. No entanto, não passa de uma cidade como muitas outras:
          Depois de uma noite aparentemente calma a cidade acorda lentamente. Primeiro com a abertura das padarias e outros estabelecimentos que ajudam os madrugadores a matar o bicho matinal, depois, aos poucos, o acumular de gente nas paragens de autocarro, o barulho dos passos das pessoas no passeio e o primeiro engarrafamento do dia.
          Na baixa, já há mais movimento. Automóveis, camionetas, táxis, motorizadas irritantes que ultrapassam todos os limites normais do razoável a nível de decibéis… e tudo isto culmina com a chegada do primeiro comboio que despeja na estação de S. Bento uma quantidade de gente mal disposta e com um humor pouco recomendável, fruto de algumas horas, apesar de ainda cedo, de aborrecimentos e contrariedades.
          Este é o espectáculo degradante que se repete dia após dia, semana após semana, ano após ano… que nos impede de pensar e nos obriga a ser automáticos. No dia seguinte basta carregar num botão e tudo se repete.

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Esperteza portuga! Nem os "deuses" estão a salvo!...


          Um Taxista apanha os funcionários do FMI no Aeroporto da Portela...:
          - Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro... Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer "alto e pára o baile"... O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar. Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito... Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu'a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro... Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho!...

(recebida por mail)

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Epílogo

Poema gasto,
Perdido,
Abatido,
Esquecido num canto
De um livro meu,
Velho e poeirento
Que ninguém leu!

Poema acabado,
Quebrado,
Bolorento,
Abandonado,
Cinzento,
Diluído ao Vento…

Anoiteceu,
Arrefeceu,
Enfim
Adormeceu,
Sem sorte
Mas forte,
Num desencanto
De um canto
De um livro meu
Que ninguém leu!

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mas isto está tudo doido ou... sou eu que não estou a ver bem a coisa?

          Estava aqui a dar uma vista de olhos nas parangonas acerca do surrealismo diário a que aos poucos nos vamos habituando e deparo-me com uma delas que reza assim: "Crise e falta de médicos obrigam a mudanças na saúde em Lisboa".
          Quer dizer: aqui deve haver qualquer coisa que não bate certo. Então há falta de médicos em Portugal? É que... como tudo se faz para que os nossos jovens não entrem para medicina, impingindo-os para cursos que não interessam para nada, pelo menos para os que desejariam ser médicos, condenando-os ao previsível desemprego ou à frustração de uma profissão para a qual não têm vocação, eu, sinceramente, pensei que havia médicos a mais e os médicos espanhóis, colombianos, brasileiros. argentinos, etc., que encontramos em todos os hospitais e centros de saúde, eram apenas convidados ou andavam por cá unicamente para fazer mestrados, estágios, acções de formação e assim...   
          Mas então... há falta de médicos, é?... Nã...! Mentira! Estão a brincar aqui com o Zé Povinho, certo?
          Pois se não deixam os nossos meninos estudar medicina.... há médicos a mais, não é?... Não é?... Por favor digam que sim!... Caso contrário, vou mesmo pensar que está tudo doido... ou sou eu que não estou a ver bem a coisa?...

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge 


terça-feira, 19 de abril de 2011

Ele há coisas do caneco!...

          Há coisas que não lembram ao Diabo!
          Então não é que ao fim de sete anos sem fumar, hoje tive uma vontade louca de puxar por um cigarro?...
          Não sei! Ou é do tempo estúpido que está, ou é por ter vindo trabalhar numa altura em que a maior parte do pessoal está de férias, ou é da crise de que tanto se fala por aí... sei lá! O que sei, é que fui almoçar e nem almocei mal. Posso até dizer o que comi. Comi um bacalhauzinho à “João do Grão”, acompanhado por um verde branco à temperatura desejável, que me soube pela vida. No fim, veio uma salada de frutas para adoçar a boca e finalmente o indispensável café para rematar.
          Depois e como já é usual, dei dois dedos de conversa com o empregado do restaurante que me conhece e tem já alguma confiança comigo. Falei… de coisas fúteis, sei lá… falei do tempo… do que se passou no fim-de-semana em termos futebolísticos… disse mal do governo e… outras coisas de pouca utilidade e sem interesse de maior. A certa altura, vá saber-se porquê, dou comigo com as mãos nos bolsos à procura do maço de cigarros!...
Vejam lá a minha vida. Depois de tanto sacrifício(1) para deixar de fumar...
Ele há coisas do caneco!...
Oh valha-me Deus!...   

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes

Jorge


(1) Não foi assim tanto e para quem fuma e quer deixar de o fazer, posso dizer que custa menos do que parece e recomendo vivamente. Apesar de ter engordado uns quilitos que não foram assim tantos, vivo melhor. Aquilo que dizem por aí é mesmo verdade. Experimentem. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mitos

       
          Não!  
          Desculpem lá mas o Cristiano Ronaldo não é o melhor jogador de futebol do mundo. Tão pouco Figo, Eusébio ou Pelé o foram. Haverá com certeza, melhores que eles,  quiçá num clube de bairro ou jogando descalços nas ruas de uma favela no Rio de Janeiro.  Tiveram apenas a pouca sorte de ninguém os ter descoberto e orientado nesse sentido.
          Não!
          Jimi Hendrix não foi, de todo, o melhor guitarrista do mundo, já vi melhor e haverá muitos por aí escondidos em bandas de garagem à espera de um bafejar de sorte.
          Não!
          O Saramago não foi o melhor escritor português, só porque recebeu o prémio Nobel e o facto de ter morrido não vai fazer com que eu mude de opinião.  É que... nós temos um bocado a tendência de cair na idolatria desta ou daquela personagem, só porque morreu.
          Posso também, escandalizem-se se quiserem, dizer que a Amália, que toda a gente insiste em chamar D. Amália depois de ter morrido, não foi a melhor fadista de todos os tempos. Ela até nem tinha lá grande voz!...
          De certo modo, por algum motivo, convenciona-se que esta ou aquela personagem é a maior e  há que idolatrá-la.  Lá porque um pintor, só porque é famoso, consigue vender um borrão qualquer por milhões, não quer dizer que ele seja bom. Teve sorte!... Alguém resolveu inventar que aquele borrão era um bom borrão e "logicamente" toda a carneirada resolveu dizer que sim. Logo todos acham que é uma pintura magnífica só para não ficarem mal na fotografia, mesmo que aquela não lhes diga absolutamente nada. É muito "fino" gostar assim destas coisas e quem quiser estar "in", já sabe!...   Pois para mim, chamem-me ovelha tresmalhada ou outro nome qualquer, nunca deixará de ser um borrão, ou melhor, uma borrada.    
          Recuso-me terminantemente a seguir estereótipos só porque uns tiveram mais sorte que outros e tenho absoluta consciência que há por esse mundo fora coisas maravilhosas que nunca conheceremos só porque quem as concebeu, não teve o tal bafejo.

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Olhando o infinito...

          Nem sei que diga!
          Hoje estou completamente assim: apático e sem inspiração de qualquer espécie. “A Leste nada de novo”, tal como a Norte, a Sul e a Oeste. A dor de cabeça do costume, a falta de vontade, a preguiça, o olhar para o infinito…
          Olhar o infinito não tem uma definição concreta, não tem imagem própria, não tem uma forma… Cada um dá-lhe a forma que entende. Para mim o infinito tem a “forma” do pôr-do-sol.
          Naquela hora mágica em que tal espectáculo, único e majestoso a que diariamente assistimos (quando assistimos) começa, sentimo-nos invadidos pela frescura dos fluidos encantados emanados pelo sol ao apagar-se no mar. Aquela hora especial que nos faz esquecer, por alguns minutos, todas as desventuras e agruras que eventualmente nos contrariaram durante o dia e nos perturbaram a paz que tanto precisamos para cultivar a mente e o espírito.   
          Aquele quadro magnífico, associado ao barulho do mar e à misteriosa voz de uma gaivota, hipnotiza-nos por completo e faz-nos sonhar!...
          O sonho é o pilar de tudo que o homem realiza e é bom sonhar!
          Continuo a olhar o infinito e permaneço no mundo dos sonhos e sonho com um mundo…blá, blá, blá… e as baleias… e a fome… e o fim das guerras… blá, blá, blá… em todos os lugares comuns e quimeras que oiço desde sempre mas nunca vi realizar.
          Mas posso sempre sonhar e olhar o infinito!


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

quinta-feira, 31 de março de 2011

Minhas Senhoras e meus Senhores...

            Meus Senhores!... (Não! Isto não está bem!)
Meus Senhores e minhas Senhoras!... (Oh! Pá! Que falta de respeito e de ética! As senhoras são sempre em primeiro lugar!)
Muito bem:
Minhas Senhoras e meus Senhores!
Estou aqui para agradecer a vossa presença, a vossa boa vontade e o favor de me aturar… Mas… aturar… Afinal alguém me disse para dizer algumas palavras e… muito sinceramente nem sei que dizer. É que… fui apanhado de surpresa e na realidade não tenho jeitinho nenhum para isto.
Podia-vos falar do tempo, da chuva que não caiu hoje, da temperatura que subiu e nos desenfastiou do inverno que tem estado. Podia referir-me à conjuntura actual do país e do mundo mas não iria dizer nada de novo. Podia falar dos meus dias de trabalho mas na verdade não têm sido nada de especial. Têm sido... “Com saudinha!” – como diria a minha avó. Mas isso também não vos interessa nada.
Podia também falar sobre a queda de filósofos e da ascenção de roedores, mas para quê? Estão muito bem uns para o outros e além disso não quero falar de coisas tristes.
Talvez diga qualquer coisa acerca do aquecimento global. Mas... que é que poderia acrescentar ao tanto que já foi dito, apesar de esquecido com frequência.
Que há de novo? Existirá, na realidade ainda algo que nos surpreenda? Além das desgraças, desventuras e histórias que giram por esse mundo fora e que já não nos espantam…
Agora sou eu que peço: “Digam-me qualquer coisa!” Estou farto dos mesmos lugares comuns, das mesmas ideias, dos mesmos desgraçadinhos para quem se pede ondas de solidariedade! Estou farto das mesmas notícias, das mesmas crianças que desaparecem e de pedófilos impunes! Estou farto do idolatrar da estupidez e do imperar da arrogância sobre a humildade! Estou farto do nosso sistema de saúde e da nossa política para a educação! Estou farto da imbecilidade do governo e seus acólitos! Estou farto dos arrumadores, toxicodependentes e dos sem-abrigo! Estou farto dos assaltos nas ruas e de toda a insegurança… Estou farto… Deixem-me gritar: “ESTOU FARTO!!!” 
Eu sei!
Eu sei que não estou a ser politicamente correcto e talvez vá perder alguns “clientes”, mas eu nunca disse que era político (argh)! Se os perder, paciência. É isto que eu sinto de momento e é isto que eu quero gritar!
Minhas Senhoras e meus Senhores!
Queriam que eu fizesse um discurso, dissesse algumas palavras… mas… muito sinceramente nem sei que dizer. É que… fui apanhado de surpresa e na realidade não tenho jeitinho nenhum para isto.
Lamento tê-los deixado ficar mal!
Tenho dito!

(Agora era aquela parte em que todos os que gostaram, os que não gostaram, os que perceberam e os que não perceberam patavina, se levantavam e batiam palmas).



Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge 


terça-feira, 29 de março de 2011

Expliquem-me como se eu tivesse cinco anos!

            Das duas, uma: ou eu sou muito estúpido e não entendo o óbvio ou então há qualquer coisa que não bate certo.
          Senão vejamos:
          Quando há algum conflito no médio oriente, aparece logo um especialista a opinar sobre o assunto, mostrando uma larga noção histórica sobre a razão de tais acontecimentos, assim como, profundo conhecimento sobre tão nobres culturas. Também, em situação de guerra, temos sempre alguém que a comunicação social consegue descobrir, altamente especializado em assuntos bélicos e em estratégia militar que nos vai encher os ouvidos com toda a sua sabedoria. Se se tratar de algo que tenha a ver com viagens espaciais, aí, não aparece um mas sim, vários especialistas em assuntos relacionados com o espaço.  Inclusivamente,  após os trágicos acontecimentos que ocorreram no Japão, desencantou-se, sabe-se lá onde, um especialista em centrais nucleares para ir à televisão mandar também as suas "bocas".
          E no desporto? Temos especialistas em Cricket,  Baseball, Pólo e, pasme-se,  Curling  (aquele onde os atletas utilizam uma esfregona e esfregam, esfregam... sabem qual é, não sabem?).
          É por isso que eu realmente não entendo como é que com tantos crânios inteligentes, tantas sumidades, tanta ciência mais a capacidade de desenrascanço do tuga, andamos aqui ao Deus-dará e não somos, se não uma super-potência, pelo menos dos melhores.
          Expliquem-me como se eu tivesse cinco anos!...

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge
    

segunda-feira, 28 de março de 2011

Desabafos, interrogações e afins.

Pois é! A vida é curta demais para ser desperdiçada com coisas estúpidas e sem sentido. É certo que a estupidez faz parte da vida como muitas outras coisas mas tudo deve ser utilizado com a conta e medida proporcional à sua utilidade. Em vez disso o mundo pertence à estupidez e à arrogância. Assim, os poucos que restam limitam-se a defender como podem para conseguir sobreviver no ambiente hostil que os rodeia.
Enquanto o nosso processo de envelhecimento amadurece, passamos por uma metamorfose de tal maneira surpreendente que quando fazemos uma retrospectiva de tudo, ficamos abismados com coisas que fizemos e que agora nunca faríamos. E os sonhos? Meu Deus... tantos sonhos por concretizar!
Naquele tempo, tudo era possível. Eu ia ser rei e senhor do mundo.
- Você há-de ser sempre um eterno adolescente - alguém me disse um dia num tom sarcástico e irónico.
- Não podia ter-me dado melhor elogio – respondi. Realmente chamar-me adolescente era como dizer que ainda vive em mim uma inocente e exuberante alegria de viver que só é possível encontrar nessa idade e que com o decorrer dos anos se vai escondendo atrás do papel que somos obrigados a representar perante um público muito exigente e que é capaz de nos vaiar ao mínimo deslize.
Deslize, o que será um deslize? Será um erro que se comete por ignorância ou distracção, ou será apenas o desviar de um trilho que foi traçado, sabe-se lá por quem, e que todos insistem, resignados, em seguir, sabe-se lá porquê ? Será, talvez o não partilhar de um sistema erguido orgulhosamente por toda uma máquina construída por uma multidão de gerações que viveram apenas para dar largas à sua imbecilidade?
Como seria bom seguir aquela velha e utópica máxima que diz que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Um mundo diferente onde se respeitasse o próximo como a nós mesmos. Um mundo onde não houvesse lugar para a ganância, para a ambição desmedida, para o egoísmo, para a sede de poder...
Deixem-me sonhar! Afinal sempre fui um sonhador e hei-de morrer a sonhar, por isso ainda resiste em mim uma ténue esperança nos nossos filhos. Talvez eles consigam mudar tudo isto. Talvez tenham aptidão para gerir melhor a herança que lhes vamos deixar.
E que herança! Vamos deixar-lhes uma sociedade bolorenta e um planeta empobrecido. Vai ser preciso uma capacidade sobrenatural não só para impedir que a podridão alastre mas também para que diminua. Vão ter de actuar de maneira rápida e eficiente. Se tiverem uma imaginação fértil talvez consigam... Ou talvez não!
Com o rumo que as coisas estão a levar às vezes sinto-me pessimista em relação ao futuro, sinto-me pouco crente quanto à qualidade de vida das gerações que se seguirão, não só no que diz respeito ao meio ambiente mas também à própria sociedade e ao tal maldito sistema que teve, durante séculos, oportunidade de provar que não funciona.
Se funcionasse não haveria ódio, não haveria guerra, não haveria dor nem sofrimento, não haveria raças nem racismo, não haveria fome, haveria mais vida e menos morte. Não haveria países nem dinheiro, não haveria reis nem presidentes, teria sido descoberta a cura para todas as doenças, etc., etc. ... e os homens seriam realmente todos iguais, como diz nessa dita declaração dos direitos do homem inventada por alguém com muito boas intenções mas que não passa de uma farsa desprezada por todos e lembrada por ninguém.
Demagogia, lugares comuns, frases feitas, é o alimento constante dos nossos ouvidos e das bocas de muita gente. A Natureza é diariamente agredida pelos "tubarões" (sem querer ofender os próprios) que estão inseridos numa corrida desenfreada ao poder e sabe-se lá mais a quê. Entretanto alguma da nossa juventude farta de tudo isto, refugia-se na droga, um flagelo dos nossos tempos e que mais uma vez favorece os ditos cujos. E como se não bastasse faz-se mais uma experiência nuclear, numa ilha que era suposto ser paradisíaca. É, ou não é, de loucos? Vivemos, ou não vivemos, num mundo louco? Não que eu tenha algo contra a loucura, desde que seja uma loucura saudável e que não prejudique ninguém, mas não é o caso.
Por outro lado podemos pensar de uma maneira mais optimista.
                Pode ser que as coisas mudem para melhor e talvez não sejam precisas medidas tão radicais como as que referi atrás. Bastava que houvesse um pouco mais de compreensão e amor pelo próximo. Afinal não estou a dizer nada de novo. Já há dois mil anos atrás um tal de Jesus Cristo disse o mesmo. Só que ninguém Lhe ligou e até O mataram. De maneira nenhuma me estou a querer comparar a Ele. Eu limito-me a admirá-Lo e a concordar com tudo que Ele disse e fez. Vírgula por vírgula, suspiro por suspiro e tento de vez em quando seguir-lhe as pisadas... Difícil! Muito difícil!
                Bem. Não estou aqui para falar de religião, pois não estou habilitado para isso. Talvez houvesse algumas críticas a referir mas, quem sou eu para o fazer. Além disso iria entrar por caminhos perigosos que de uma forma ou de outra poderia ferir susceptibilidades. Isso não é a minha intenção.
                O mundo mudou muito nestes últimos anos (para pior, claro), o ritmo da mudança é de tal maneira alucinante e as pessoas acompanham-no com alguma dificuldade. Num ano os acontecimentos evoluem como evoluíam em décadas há alguns séculos atrás (para pior, claro).
                Sinto-me revoltado, triste, com vontade de dizer palavrões e de insultar seres da minha espécie. Que espécie é esta, que não permite que outras compartilhem o mundo com ela ? Que espécie é esta que não vive nem deixa viver ? Que espécie é esta que se diz superior e afinal é tão inferior que vai acabar por se destruir e às outras? Que espécie é esta que eu pertenço?


(in Vagabundices)

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,


Jorge

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quezílias...

          Apesar de sermos um país minúsculo, com uma densidade populacional muito inferior a muitas cidades espalhadas por esse mundo fora, é histórica a estúpida e primária rivalidade entre Porto e Lisboa. É histórico mas sem qualquer sentido nós, portuenses, chamarmos mouros e saloios aos lisboetas e por sua vez, estes chamarem-nos cabeçudos, parolos e outros nomes menos dignificantes.
          Se essa rivalidade fosse salutar gerando uma competição saudável e benéfica para o desnvolvimento do país, aí, eu aplaudiria de pé. No entanto, não é isso que se passa e, se por acaso tranferirmos essa competição para o fenómeno futebol, nomeadamente, Porto e Benfica, a rivalidade ultrapassa o campo da simples competição, para se transformar, de imediato, em ódio. Ódio profundo, fomentado pelos próprios dirigentes destes clubes, gente com responsabilidade que tinha obrigação de dar o exemplo!
          Por amor de Deus, meus senhores!... Cresçam!!!...   

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

quarta-feira, 23 de março de 2011

O pior é que é mesmo assim!

Um autarca queria construir uma ponte e teve respostas de três empresas: uma polaca, uma alemã e uma portuguesa.

- Faço por 3 milhões - disse o polaco:
- Um pela mão-de-obra,
- Um pelo material e
- Um para meu lucro.

- Faço por 6 milhões - propôs o alemão:
- Dois pela mão-de-obra,
- Dois pelo material e
- Dois para mim.
- ... Mas o serviço é de primeira!

- Faço por 9 milhões - disse o português.
- Nove?! - Espantou-se o presidente - Nove é demais! Porquê tanto dinheiro?!
- Então é assim: Três para mim,
- Três para si,
- E três para os polacos fazerem a obra...

- Adjudicada !...

(recebida por mail)

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

segunda-feira, 21 de março de 2011

Irritações!

          É natural que com o ritmo que hoje levamos, os nervos do mais comum mortal, estejam mais à superfície que aquilo que deviam estar. Assim, é também natural que nos irritemos com mais facilidade do que se vivessemos no alto de uma montanha, rodeados de flores silvestres em vez de edifícios de betão, ou se acordássemos ao som dos passarinhos ou de um galo madrugador em vez de uma discussão entre vizinhos ou da inteligência quase artificial do condutor que não pára de accionar o claxon do seu automóvel.  
          Tudo isto somado à estupidez, que  aliada à arrogância,  me irrita solenemente.    
          Neste momento estou a lembrar-me que na última sexta-feira de manhã, por qualquer motivo que não me lembro agora mas que também não interessa nada, saí de casa para ir trabalhar, dez minutos mais tarde que o habitual. Tal, foi suficiente para haver mais transito, mais gente na rua, mais pressa, mais stress... Conclusão: quando cheguei à estação do metro, como é lógico, estava mais gente e os comboios vinham mais cheios. Como vou para a baixa, qualquer comboio me serve e por isso, pouco tive que esperar. Não tinham passado dois minutos e ali vinha um. Cheio, como eu não estava habituado. Parou e abriu as portas. Qual não foi o meu espanto, houve gente que queria por força entrar no metro antes de deixar sair quem queria sair e pelos vistos trata-se de uma prática usual!
          Fiquei irritado! Pois com certeza que fiquei irritado!... Irritação essa que se não fosse o primeiro café da manhã a dissolve-la, faria de certo que eu também já não visse com bons olhos a primeira pessoa que encontrasse quando chegasse ao meu local de trabalho!

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge 

sexta-feira, 18 de março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Estiveste muito bem, pá!

Quando os Sócrates forem apenas filósofos;

 Os Alegres apenas crianças;

 Os Cavacos apenas instrumentos musicais;

 Os Passos apenas os de dança;

 Os Louçãs apenas erros ortográficos;

 Os Jerónimos apenas monumentos nacionais

 E Portas  apenas  de abrir e fechar...

Voltaremos a ser felizes  !!!!! 

(Seja quem for que escreveu isto, esteve muito bem!...)

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

A. Jorge

terça-feira, 15 de março de 2011

No poupar é que está o ganho

          Cheguei à conclusão que afinal este governo não é assim tão mau. Os nossos governantes, ao contrário do que todos nós pensávamos, também zelam pelo bem-estar dos seus "súbditos"!...
          Então não é que o gasóleo para os iates é a 80 cêntimos? Mais, então não é que está a ser equacionada a redução da tributação do golfe de 23% para 6% de IVA?
          Portanto, vou começar a deslocar-me de iate e, em vez de ir a um ginásio, vou praticar golfe. Penso que não há dúvidas em relação a isto, ou há?
          A menos que... sim... Sou capaz de esperar que reduzam o imposto automóvel para os carros de luxo. Talvez seja desta que compro um Rolls Royce e poupe mais uns trocos, ficando assim o meu plano de poupança completo!
          Vá lá, não digam mais mal dos senhores!...

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge


segunda-feira, 14 de março de 2011

Ditaduras

 
          Há tempos atrás, enquanto penava numa fila de transito, num "pára-arranca", dos muitos que há por aí, ouvi, na rádio, uma notícia que informava que o ministro sueco  das obras públicas se tinha demitido porque durante um nevão intenso, comum num país como a Suécia, houve uma grande quantidade de automobilistas que ficaram imobilizados na estrada durante uma considerável quantidade de tempo, de tal modo que muitos tiveram que dormir nos próprios carros.  É claro que pensei logo que cá, o nosso ministro, faria exactamente o mesmo. A menos que se chegasse à conclusão que a culpa seria do condutor do limpa-neves, que não temos,  e arranjar-se-ia uma maneira qualquer de o despedir.
          Ora aí está, na prática, uma das muitas diferenças entre uma ditadura e uma democracia. Concluo, portanto, que democracias há mesmo muito poucas, podendo-se contar pelos dedos de uma mão.
          Comparemos, por exemplo, o Kadhafi e um certo senhor muito nosso conhecido:
          - O Kadhafi está no poder há uma eternidade.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi não aceita qualquer tipo de opinião que não coincida com a dele.
          - Esse senhor também não.
          - O Kadhafi "põe e dispõe" conforme quer e lhe apetece.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi é arrogante e governa com arrogância.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi não se demitiu mesmo depois de ver o seu próprio povo a manifestar-se contra ele.
          - Esse senhor também não se demitiu depois de ter assistido à manifestação de sábado passado de uma população inteira "à rasca".
          E a lista continuaria por aí fora, enumerando sem fim as semelhanças entre um ditador e um "democrata".
          Estas coisas confundem-me. Afinal como é? Quem é o democrata? Onde está a democracia? "Macacos me mordam" se eu percebo alguma coisa disto!
          Imagino a nossa juventude como deve estar confusa também. Se um "burro velho" como eu que já assistiu e viveu muita coisa e espera viver ainda mais, anda "às aranhas" com toda esta treta, como se sentirá um jovem de cabeça ainda saudável e de ideologias ainda puras?
           Já agora e voltando ao Kadhafi gostava que alguém me explicasse uma coisa:
         Porque é que em 1986, quando os papões americanos atacaram Kadhafi bombardeando Tripoli e Benghazi, a comunicação social, dando asas ao seu anti-americanismo primário,  quase deu como mártir o coitadinho Kadhafi que afinal era uma inocente criatura que só tinha uns campitos de treino para terroristas, fomentando e apoiando o terrorismo. Agora, vá lá saber-se porquê, o homem não passa de um déspota, ditador, sanguinário! Afinal em que ficamos?  Meus senhores, por favor entendam-se!...


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

sábado, 12 de março de 2011

E se fosse cá?

          Não fosse o Japão o país que é, altamente preparado e calejado para situações como o terramoto, seguido de tsunami que aconteceu ontem, seria o colapso total de um país.
          Não fosse o seu povo ordeiro, tranquilo e extremamente civilizado, as consequências seriam inimagináveis.
          É nestas ocasiões que eu penso e pergunto aos meus botões:
          E se fosse cá? Se tivesse acontecido neste "jardim à beira-mar plantado"?
          Se ao menos a enxurrada levasse com ela certas pessoas que eu cá sei…


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

sexta-feira, 11 de março de 2011

Regressando

O "Vagabundices", http://vaggabundices.blogspot.com/, acabou mesmo! Neste momento, está transformado num livro que, depois de limadas algumas arestas, tentarei que seja publicado.
A ver vamos!...
Entretanto, nasce o "Escárnios, Tretas e Maldizeres" que não é, de modo algum, um "Vagabundices II" .Trata-se de um projecto completamente diferente. Dir-se-ia que é quase o oposto do "paz e amor", romântico e ingénuo "Vagabundices" de outrora.
Mudam-se os tempos, acabam-se as meiguices. É o lema deste meu/vosso novo espaço.
Espero que gostem.
Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,
Jorge