segunda-feira, 28 de março de 2011

Desabafos, interrogações e afins.

Pois é! A vida é curta demais para ser desperdiçada com coisas estúpidas e sem sentido. É certo que a estupidez faz parte da vida como muitas outras coisas mas tudo deve ser utilizado com a conta e medida proporcional à sua utilidade. Em vez disso o mundo pertence à estupidez e à arrogância. Assim, os poucos que restam limitam-se a defender como podem para conseguir sobreviver no ambiente hostil que os rodeia.
Enquanto o nosso processo de envelhecimento amadurece, passamos por uma metamorfose de tal maneira surpreendente que quando fazemos uma retrospectiva de tudo, ficamos abismados com coisas que fizemos e que agora nunca faríamos. E os sonhos? Meu Deus... tantos sonhos por concretizar!
Naquele tempo, tudo era possível. Eu ia ser rei e senhor do mundo.
- Você há-de ser sempre um eterno adolescente - alguém me disse um dia num tom sarcástico e irónico.
- Não podia ter-me dado melhor elogio – respondi. Realmente chamar-me adolescente era como dizer que ainda vive em mim uma inocente e exuberante alegria de viver que só é possível encontrar nessa idade e que com o decorrer dos anos se vai escondendo atrás do papel que somos obrigados a representar perante um público muito exigente e que é capaz de nos vaiar ao mínimo deslize.
Deslize, o que será um deslize? Será um erro que se comete por ignorância ou distracção, ou será apenas o desviar de um trilho que foi traçado, sabe-se lá por quem, e que todos insistem, resignados, em seguir, sabe-se lá porquê ? Será, talvez o não partilhar de um sistema erguido orgulhosamente por toda uma máquina construída por uma multidão de gerações que viveram apenas para dar largas à sua imbecilidade?
Como seria bom seguir aquela velha e utópica máxima que diz que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Um mundo diferente onde se respeitasse o próximo como a nós mesmos. Um mundo onde não houvesse lugar para a ganância, para a ambição desmedida, para o egoísmo, para a sede de poder...
Deixem-me sonhar! Afinal sempre fui um sonhador e hei-de morrer a sonhar, por isso ainda resiste em mim uma ténue esperança nos nossos filhos. Talvez eles consigam mudar tudo isto. Talvez tenham aptidão para gerir melhor a herança que lhes vamos deixar.
E que herança! Vamos deixar-lhes uma sociedade bolorenta e um planeta empobrecido. Vai ser preciso uma capacidade sobrenatural não só para impedir que a podridão alastre mas também para que diminua. Vão ter de actuar de maneira rápida e eficiente. Se tiverem uma imaginação fértil talvez consigam... Ou talvez não!
Com o rumo que as coisas estão a levar às vezes sinto-me pessimista em relação ao futuro, sinto-me pouco crente quanto à qualidade de vida das gerações que se seguirão, não só no que diz respeito ao meio ambiente mas também à própria sociedade e ao tal maldito sistema que teve, durante séculos, oportunidade de provar que não funciona.
Se funcionasse não haveria ódio, não haveria guerra, não haveria dor nem sofrimento, não haveria raças nem racismo, não haveria fome, haveria mais vida e menos morte. Não haveria países nem dinheiro, não haveria reis nem presidentes, teria sido descoberta a cura para todas as doenças, etc., etc. ... e os homens seriam realmente todos iguais, como diz nessa dita declaração dos direitos do homem inventada por alguém com muito boas intenções mas que não passa de uma farsa desprezada por todos e lembrada por ninguém.
Demagogia, lugares comuns, frases feitas, é o alimento constante dos nossos ouvidos e das bocas de muita gente. A Natureza é diariamente agredida pelos "tubarões" (sem querer ofender os próprios) que estão inseridos numa corrida desenfreada ao poder e sabe-se lá mais a quê. Entretanto alguma da nossa juventude farta de tudo isto, refugia-se na droga, um flagelo dos nossos tempos e que mais uma vez favorece os ditos cujos. E como se não bastasse faz-se mais uma experiência nuclear, numa ilha que era suposto ser paradisíaca. É, ou não é, de loucos? Vivemos, ou não vivemos, num mundo louco? Não que eu tenha algo contra a loucura, desde que seja uma loucura saudável e que não prejudique ninguém, mas não é o caso.
Por outro lado podemos pensar de uma maneira mais optimista.
                Pode ser que as coisas mudem para melhor e talvez não sejam precisas medidas tão radicais como as que referi atrás. Bastava que houvesse um pouco mais de compreensão e amor pelo próximo. Afinal não estou a dizer nada de novo. Já há dois mil anos atrás um tal de Jesus Cristo disse o mesmo. Só que ninguém Lhe ligou e até O mataram. De maneira nenhuma me estou a querer comparar a Ele. Eu limito-me a admirá-Lo e a concordar com tudo que Ele disse e fez. Vírgula por vírgula, suspiro por suspiro e tento de vez em quando seguir-lhe as pisadas... Difícil! Muito difícil!
                Bem. Não estou aqui para falar de religião, pois não estou habilitado para isso. Talvez houvesse algumas críticas a referir mas, quem sou eu para o fazer. Além disso iria entrar por caminhos perigosos que de uma forma ou de outra poderia ferir susceptibilidades. Isso não é a minha intenção.
                O mundo mudou muito nestes últimos anos (para pior, claro), o ritmo da mudança é de tal maneira alucinante e as pessoas acompanham-no com alguma dificuldade. Num ano os acontecimentos evoluem como evoluíam em décadas há alguns séculos atrás (para pior, claro).
                Sinto-me revoltado, triste, com vontade de dizer palavrões e de insultar seres da minha espécie. Que espécie é esta, que não permite que outras compartilhem o mundo com ela ? Que espécie é esta que não vive nem deixa viver ? Que espécie é esta que se diz superior e afinal é tão inferior que vai acabar por se destruir e às outras? Que espécie é esta que eu pertenço?


(in Vagabundices)

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,


Jorge

5 comentários:

wind disse...

Fabulosa dissertação com a qual concordo:)
Beijos

tecas disse...

Concordo plenamente com a tua dissertação. Honra o nome do blog:)
Bjito amigo.

Maria disse...

Tu não falaste de religião nem quando falaste de Jesus Cristo. Falaste de política, porque política foi a sua intervenção enquanto andou por aqui. Digo eu...
O resto, bem, o resto é o que a igreja fez dele. Deturpando a mensagem que ele andou a transmitir. Continuo a dizer eu...
Estou de acordo com este texto, no fundamental. Preocupa-me o Mundo que vamos deixar aos nossos filhos e netos. Bem tento que seja outro, mas é tão difícil...

Um beijo.

Julliany kotona disse...

gostei do blog estou a te seguir belo texto beijos.

M. Sousa disse...

É verdade meu caro. Tantas ideias e tão poucas acções que facilitem e contribuam para o desenvolvimento das relações humanas... Tão pouco fazemos pela nossa existencia...
Beijo
M. Sousa