segunda-feira, 14 de março de 2011

Ditaduras

 
          Há tempos atrás, enquanto penava numa fila de transito, num "pára-arranca", dos muitos que há por aí, ouvi, na rádio, uma notícia que informava que o ministro sueco  das obras públicas se tinha demitido porque durante um nevão intenso, comum num país como a Suécia, houve uma grande quantidade de automobilistas que ficaram imobilizados na estrada durante uma considerável quantidade de tempo, de tal modo que muitos tiveram que dormir nos próprios carros.  É claro que pensei logo que cá, o nosso ministro, faria exactamente o mesmo. A menos que se chegasse à conclusão que a culpa seria do condutor do limpa-neves, que não temos,  e arranjar-se-ia uma maneira qualquer de o despedir.
          Ora aí está, na prática, uma das muitas diferenças entre uma ditadura e uma democracia. Concluo, portanto, que democracias há mesmo muito poucas, podendo-se contar pelos dedos de uma mão.
          Comparemos, por exemplo, o Kadhafi e um certo senhor muito nosso conhecido:
          - O Kadhafi está no poder há uma eternidade.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi não aceita qualquer tipo de opinião que não coincida com a dele.
          - Esse senhor também não.
          - O Kadhafi "põe e dispõe" conforme quer e lhe apetece.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi é arrogante e governa com arrogância.
          - Esse senhor também.
          - O Kadhafi não se demitiu mesmo depois de ver o seu próprio povo a manifestar-se contra ele.
          - Esse senhor também não se demitiu depois de ter assistido à manifestação de sábado passado de uma população inteira "à rasca".
          E a lista continuaria por aí fora, enumerando sem fim as semelhanças entre um ditador e um "democrata".
          Estas coisas confundem-me. Afinal como é? Quem é o democrata? Onde está a democracia? "Macacos me mordam" se eu percebo alguma coisa disto!
          Imagino a nossa juventude como deve estar confusa também. Se um "burro velho" como eu que já assistiu e viveu muita coisa e espera viver ainda mais, anda "às aranhas" com toda esta treta, como se sentirá um jovem de cabeça ainda saudável e de ideologias ainda puras?
           Já agora e voltando ao Kadhafi gostava que alguém me explicasse uma coisa:
         Porque é que em 1986, quando os papões americanos atacaram Kadhafi bombardeando Tripoli e Benghazi, a comunicação social, dando asas ao seu anti-americanismo primário,  quase deu como mártir o coitadinho Kadhafi que afinal era uma inocente criatura que só tinha uns campitos de treino para terroristas, fomentando e apoiando o terrorismo. Agora, vá lá saber-se porquê, o homem não passa de um déspota, ditador, sanguinário! Afinal em que ficamos?  Meus senhores, por favor entendam-se!...


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

1 comentário:

Maria disse...

Quando há petróleo as coisas complicam-se. Quando há muito petróleo ainda se complicam mais. E os amigos de ontem passam a ser inimigos hoje e vice-versa... E tão amigos que eles eram...

Bom voltar a poder ler-te.
Beijos, Jorge.