terça-feira, 6 de setembro de 2011

Retalhos de fim de Verão

Assola-me às vezes uma nostalgia tão grande… Chega a transportar-me até aos primórdios da minha existência e vai ao ponto de me lembrar de coisas que já não me lembrava mais.
Às vezes gosto de passear perigosamente pelos caminhos do passado e hoje, nem sei porquê, lembrei-me daquele tempo em que ir à praia em Setembro era normal.
É verdade! Vaguear pelo passado pode ser óptimo, mas pode também magoar. Uma ténue passagem, por exemplo, pelas pessoas que faziam, fisicamente, parte da nossa vida e agora pertencem a um mundo diferente, pode abrir feridas que se julgavam curadas há muito. Recuar no tempo até à altura em que não tínhamos ainda sentido a dor da morte, é bom mas pode ser arriscado.
Nessa noite, mal conseguia dormir. O dia seguinte era o tão esperado 1 de Setembro, o primeiro dia do mês em que íamos para a praia. À banheira Rosa (que afinal se chamava Irene, Rosa era a mãe) alugávamos, na praia de Leça, uma barraca por todo o mês e às vezes até entrava por Outubro dentro.
A importância que aquela ida para a praia tinha, era enorme, era como que um momento encantado em que esquecíamos todos os nossos problemas de criança, íamos rever os nossos amigos que só víamos na praia, íamos recomeçar as brincadeira interrompidas por um ano chatíssimo de Inverno e escola, íamos uma vez à piscina, comíamos um gelado por semana e tentávamos coleccionar os bonecos que estes davam de prémio (lembram-se? Era os animais do Jardim Zoológico, do Carrossel Mágico, do Palino, dos Looney Tunes…)
Dia 1 chegou finalmente. Excitadíssimos, lá saímos de casa em direcção à Carvalhosa para apanhar o eléctrico. Daí, íamos até Matosinhos e lá apanhávamos o autocarro para Leça (havia autocarro directo mas era mais caro $50. Custava 3$50 e indo de eléctrico, eram 1$50 até Matosinhos e mais 1$50 de autocarro até Leça. Parecendo que não, ainda se poupava algum dinheiro). Quando chegávamos, encontrávamos um ambiente muito mais calmo que em Agosto. Se não fosse a azáfama dos banheiros no desmontar das barracas excedentes de Agosto, não se ouviria mais que a música maravilhosa emitida pelas ondas do mar quebrando na areia. 
Depois de instalados, vestíamos os fatos de banho, com alguma timidez devido à inconveniente brancura da pele, e íamos procurar os nossos amigos.
Era um mês inteiro de brincadeiras, de sonhos, de projectos, de troca de ideias… era um mês mágico não podendo compará-lo com nada nem com qualquer outro tipo de vivência. Era o mês de praia e pronto!
Agora, as férias são passadas de maneira diferente, a fasquia é cada vez mais alta, gasta-se cada vez mais, a oferta é enorme, mas a sensação de insatisfação é tremenda. Falta sempre qualquer coisa que na altura não faltava e regressa-se com a sensação de termos sido roubados.     


Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes,

Jorge

3 comentários:

José Sousa disse...

Querido amigo Jorge!
Depois de uma temporada de trabalho com na realizações de festas, cá estou eu já com menos trabalho e com mais disponibilidade para o que gosto que são os meus blogues e seguidores.
Gostei deste teu escrito, como sempre muito bom mesmo!

Um grande abraço.

tecas disse...

Meu amigo Jorge, ficam as recordações:-) Bons tempos e bom texto que me fez voar no passado.
Abraço amigo.

Elisabete Cunha disse...

Querido amigo, bom rever seus escritos!! um beijim.